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Carroça de Ouro

sombras cheias de luz e silêncio em altos sons.

Carroça de Ouro

sombras cheias de luz e silêncio em altos sons.

fazem-me pensar #1

Acabei de ver o filme "The Man form Earth", muito poucos devem ter ouvido falar ou visto, pois não é uma super produção com um actor principal cheio de charme ou uma actriz linda de morrer.

 

Trata-se de um filme de 2007 que se passa todo dentro de uma sala, em que numa "reunião" em tom de despedida um dos amigos confessa que tem 14.000 anos... E é aqui que tudo isto podia tranformar-se num filme de merda, ou uma saga de vampiros e imortais, no entanto o tema é abordado de uma maneira muito mais térrea, humana, sentida e real.

 

Não querendo ser spoiler, até porque lendo a sinópse do filme no IMDB se percebe isto, o sujeito afirma que anda pela terra sem nunca envelhecer há 14.000 anos, portanto nasceu como cro-magnon (para quem não se lembra das aulas de ciências e história lê-se cromanhom), e todo o filme se desenrola na tentativa dos amigos descobrirem falhas para provarem que ele está a mentir e/ou endoideceu de todo.

 

Mas filme à parte, o que fiquei a pensar foi, no que queria eu dedicar-me se vivesse este tempo todo, sendo que por largos milhares de anos não poderia dedicar a muito mais que caça e reprodução, porque na verdade nada mais havia para fazer. Pensar que é complicado para os nossos avós funcionarem com um telémovel, e que viveram uma evolução tremenda no prazo de 60/70 anos, o que passará pela cabeça de uma pessoa que viveu toda a história da humanidade. Desde as religiões, inquisições, perdões, reinados, guerras, formação de impérios e queda dos mesmos, a escrita, as comunicações, as crenças. Tudo, viver tudo, a adaptação ano após ano, séculos e milénios.

Se para mim por vezes é dificil lembrar-me de coisas que aconteceram há 20 anos, imaginem há 200, ou 2.000. 

 

Depois de muito pensar não sei em que é que gostaria que a minha memória de 14.000 anos fosse aplicada, medicina seria importante, mas penso que é um cliché tão grande que na verdade me fartaria depressa, para além de que alturas como a peste negra deveria ser um mimo para um médico experiente e conhecedor de tudo à altura. Arte seria uma seca para mim, não percebo nada de arte se me mostrarem um Picasso e um Monet eu sei que o Picasso é o mais esquinudo (e basta), gosto de ir a museus e ver obras, pinturas, mas não é um tema que me puxe a atenção. História adoraria, mas a verdade é que uma coisa é estudar História, outra é vivê-la, com tanta coisa má que se passou na história talvez o ideal era tentar esquecer e não o contrário.

 

Talvez a que mais me custe refutar seja a filosofia, porque apesar de se viver, temos sempre a oportunidade de ver pelo outro lado, tentar outra explicação e lógica.

Eu não sou nada de filosofar, mas se calhar neste situação e supondo as condições deste amigo, a opção seria filosofia.

 

Fazem-me pensar e é isto.